Birgül Çildogan
Foto: Birgül Çildogan

 

Numa aldeia do Congo, um pescador saía todas as manhãs para o mar sobraçando, com as redes, um livro de poemas. Regressava a casa com um par de peixes e o ar de quem se havia presenciado um prodígio. Os vizinhos admiravam-se com a pescaria nunca mais do que humilde, com a expressão de perplexidade que recolhia para terra com o barco, com a sua tenacidade, com o livro que venerava. Se lhe perguntavam porque não procurava outras redes ou outras águas, o pescador respondia invariavelmente que estava tudo muito bem assim.

«Não apenas o peixe trago do mar».

Ninguém ali era capaz de entender que outra coisa trazia o pescador.