EUTRAPELIA (2021)

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Recuperando o nome de uma das antigas virtudes cristãs, com o qual titula 50 poemas escritos em 2020, João Ricardo Lopes assinala com Eutrapelia a sua preferência pelas coisas simples, pela terra e pelo silêncio, viajando (e convidando o leitor a consigo viajar) pela Europa física e pela Europa da literatura, da música, da pintura, do cinema, naquela que é, também, uma viagem pela sua própria existência.

Poesia de minudências, de flagrantes, de momentos avulsos, singulariza-a a obsessão pelo instante eternamente fugaz e belo da criação, «este ponto exato / em que o ínfimo e o infinito segregam o instante / e em vidro solidificam»

Eutrapelia assinala o vigésimo ano de vida literária do autor.

O MOSCARDO E OUTRAS HISTÓRIAS (2018)

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Depois de um interregno de sete anos, João Ricardo Lopes regressa em 2018 às publicações literárias, desta feita com O Moscardo e Outras Histórias, um volume de pequenos contos com quase trezentas páginas, escritas ao longo da última década.

O livro faz parte, no entender de Paula Morais (autora do posfácio), de uma “linha de narrativas problematizadoras do real”, resultantes das viagens do autor por diversos países e do seu olhar irónico, humorístico até, em relação aos problemas da nossa sociedade: “Os contos funcionam como um imenso painel constituído por diversos azulejos onde se recriam situações do mundo hodierno” lê-se ainda no posfácio.

Inspirado no grande inseto que Adriaen Pietersz van de Venne pintou no quadro “A Pescaria das Almas” (1614), João Ricardo Lopes abre a sua obra com um estranho e paródico episódio ocorrido durante a noite no Rijksmuseum, para depois no relatar o encontro de Emil Corian com o Diabo, em agosto de 1939, ou o assassinato do astrónomo Tycho Brahe às mãos de um matemático louco. Ao todo são 86 as histórias que captam o absurdo de muitos flagrantes da vida real e literária.

REFLEXÕES À BOCA DE CENA / ONSTAGE REFLECTIONS (2011)

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Volume bilingue (português e inglês), composto por 50 poemas, no qual se faz alusão ao universo do teatro e onde se tece irónicas considerações sobre o quotidiano da personagem central (mistura de eu e nós poético).

Serpenteando os limites do dizer poético, pelo que no seu conjunto se deixa entremear de teatro e irónica filosofia do quotidiano, reflexões à boca de cena de João Ricardo Lopes predispõe o leitor a aventurar-se a uma análise da psique humana e a superar o gueto pós-moderno das palavras, mesmo quando sobre elas paira uma relativa descrença: se ao menos as palavras não fossem / copos tão sujos.

Obra ontológica a radice, lemo-la no palco movediço e impreciso do mundo, por exemplo nas pedras de um velho cemitério: «leio-lhes o nome, a memória, a laje lavada / vagas sinopses grafadas de trás para a frente / musgo verdíssimo no meio da cronologia. (…) / musgo verdíssimo, disse, comendo-nos o nome / que a vida é isto. uma unhas-de-fome.»

DOS MAUS E BONS PECADOS (2007)

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Depois de quatro livros de poesia, João Ricardo Lopes publicou em 2007 o seu primeiro livro de crónicas, Dos Maus e Bons e Pecados (Opera Omnia), uma coleção de pequenas narrativas onde o escritor desenvolve a sua apetência pela ficção e onde assume, não raras vezes, uma postura ideologicamente ativa e comprometida com causas sociais.

Cláudio Lima resume deste modo a obra: “Mais do que uma promessa, esta obra confere ao cronista o estatuto de confirmado, não tendo eu engulhos em considerar estes textos na linha do que de melhor no género vão escrevendo Lobo Antunes, Mário Cláudio, Baptista Bastos ou Fernando Venâncio e escreveram os infelizmente já desaparecidos Alexandre O’ Neill, Cardoso Pires ou Eduardo Prado Coelho. São cinquenta e três peças de natureza vária, reunidas sob um título tão sugestivo e provocatório como ferido de heterodoxia. Pela moral religiosa não há pecados bons; eles são, em essência, todos maus, apenas variando a sua maldade (ou malignidade) de acordo com o preceituário transgredido e o maior ou menor grau de consciência transgressora. O título foi retirado de uma das crónicas (pg. 85) e nela o autor fala dos pequenos prazeres induzidos ou deduzidos pelas circunstâncias propiciadoras de pecado, sobretudo para a malta jovem: os locais de diversão nocturna com as insinuações eróticas de Madonna, um pifozito, umas passas ou tragadas e, sobretudo, umas teens frenéticas e liberadas, se possível em mini-saia de cabedal…” (Lima, 71-2).[1]

Pendulando entre a ficção e a realidade, entre a crónica propriamente dita e o conto, Dos Maus e Bons Pecados representa a primeira tentativa consolidada do autor de superar a “tirania do lirismo”, dando continuidade ao diário que mantém no seu blogue e ao “anseio de enveredar futuramente pela ficção”


[1] Lima, Cláudio (2011), “Dos Maus e Bons Pecados – Crónicas de João Ricardo Lopes”, in Os meus amores – Letras do Minho, Braga, Calígrafo (pp.71-6).

DIAS DESIGUAIS (2005)

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dias desiguais, pode ler-se como a síntese dos anteriores, combinando o fascínio pela metapoesia com um olhar irónico, mas também pessimista, sobre o Homem e o Tempo, aspetos entre si menos contraditórios do que complementares…

Nesta obra sobressai o apego ao quotidiano e o recurso a traços retórico-discursivos próprios da oratória, evidenciando a preferência do autor pela lição de Wisława Szymborska, escritora que profundamente marcará a sua arte poética nos anos subsequentes.

CONTRA O ESQUECIMENTO DAS MÃOS (2002)

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Conjunto de 84 poemas, divididos em sete quadros: «o lugar de onde viemos», «contra o esquecimento das mãos», «das tardes», «a noite de um homem», «memórias», «pequenas ilhas interiores» e «dos silêncios». Com contra o esquecimento das mãos, João Ricardo Lopes questiona o poder do ofício poético contra o esquecimento que a finitude e a morte sempre acarretam.

Vários poemas deste livro foram reunidos por Jorge Reis-Sá em Anos 90 & Agora (Quasi Edições, 2004) e forma traduzidos para servo-croata, por Tatjana Tarbuk (Nova portugalska poezija, Hrvatsko Drustvo Pisaca, Zagrev, 2005); e para castelhano, por Jesús Losada (9 de 9 – Poesia actual portuguesa, CELYA, Salamanca, 2007).

Contra o esquecimento das mãos apresenta-se como um polígono, onde os diversos tópoi do universo poético de João Ricardo Lopes se percebem já completamente definidos, entre eles a preponderância da memória, o jogo poesia-morte e a metapoesia.

ALÉM DO DIA HOJE (2002)

Volume galardoado com o XII Prémio Nacional de Poesia da Vila de Fânzeres (em 2001), obra hoje esgotada.

A PEDRA QUE CHORA COMO PALAVRAS (2001)

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Livro de estreia de João Ricardo Lopes, vencedor do IX Prémio Revelação de Poesia Ary dos Santos, atribuído por um júri composto por José Correia Tavares, Baptista-Bastos e Manuel Frias Martins, em representação da Associação Portuguesa de Escritores e da Câmara Municipal de Grândola.