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Pausa
. Por fim a pausa. Reconhecemos uma pausa quando trocamos o café pela poesia grega, quando trocamos a poesia grega pelo jardim. Herman de Coninck, poeta e jornalista belga de que cujo sentido de humor gosto bastante, escreveu que num texto maravilhoso, dedicado à mãe, que «poesia tem a ver com a duração» e que …
Arcaísmos
. Poucas coisas me entristecem mais do que a sensação de me estar a tornar velho, velho precoce, velho engolido por um tempo recente, apostado sem clemência em destruir pedaços do humanismo que considera arcaicos, como a pena, a compunção, a castidade, a cortesia leal, a busca paciente, a amizade desinteressada, os gestos sãos, o …
A nossa própria imagem
. Num dos poemas de No Tempo Dividido, Sophia de Mello Breyner Andresen escreve à laia de inscrição: «Que no largo mar azul se perca o vento / E nossa seja a nossa própria imagem». O mundo pelágico era para a poetisa, como comummente se sabe, um espaço demiúrgico, quase religioso, de onde imergia a …
Às escuras
. Quando chegava a casa dos campos, era noite já. Acendia o candeeiro a petróleo, punha a lareira a arder, raspava um fósforo e com ele beijava o pavio arrefecido das velas, uma em cada quarto. Vivia só. Odiava que os seus mortos caminhassem entre o outro e este mundo às escuras. .
O monge do fogo divino
. Albericiano era camponês. Aos quarenta e cinco decidiu deixar os campos, o pecúlio e a mulher para se juntar aos monges de uma ordem menor da província de Lucca. Os filhos, todos maiores e casados, não acharam bem nem mal. À esposa não fez aquilo mossa, porque um marido negligente significava o mesmo que …
Cinzas
. Gosto de tocar as cinzas, de sentir o leve esboroar da sua forma frágil erguendo às narinas um olor distante de madeira consumida pelo fogo e dias de chuva e janelas altas sobre um horto de infância. Gosto de as varrer do ferro fundido da salamandra, ou do fogão, de usar um guardanapo humedecido …
Poesia
. POESIA Há muito que leio, escrevo, coleciono e amo a poesia. As minhas estantes amparam um número considerável de volumes escritos nesta arte que os antigos gregos diziam consagrada a Euterpe e cujo interesse cresce com o passar dos anos, à medida que me dou conta do incrível poder da liberdade deste ποιείν (poein): …
Livros
. Todos nós guardamos um lugar indefetível na biblioteca pessoal, um espaço onde habitam livros que descobrimos fora das sugestões académicas, por mero acaso, por sorte, por instinto, livros aos quais regressamos muitas vezes e em diferentíssimas ocasiões, livros que nos defendem da mediocridade e do miserabilismo do tempo, que ostentam o nome de um …
Pat Metheny & Charlie Haden
. Durante anos, nas minhas viagens de automóvel por autoestradas ou caminhos secundários em direção às escolas onde trabalhei, escutei centenas de álbuns de música clássica, eletrónica, jazz, pop-rock, new age, guitarra espanhola, fado, canto gregoriano, afrohouse, alternativa, álbuns de muitos outros géneros de difícil catalogação. A escolha recaiu sempre no estado de espírito do …
A Grande Onda
. A GRANDE ONDA Muitas vezes ocorre sermos surpreendidos por uma espécie de fadiga que pulveriza tudo aquilo de que gostamos e que parece ceifar pela raiz o tronco das nossas emoções. Sentimo-nos cambalear por dentro, ébrios de uma paralisia implacável, sonâmbulos de uma morta temporária, derribados por aquilo a que os anciãos chamam de …
Comunicação
. Por vezes, ainda de olhos endurecidos pelo sono, venho ao pátio e quedo-me alguns minutos a contemplar. Vejo as linhas triplas de alta tensão, a fuselagem em movimento de um avião pelo meio delas, o rendilhado às vezes esfiapado, translúcido, das teias de aranha nas cornijas do telhado, as estradas subindo e descendo, curvando, …
Catarse
. No velho e saudoso dicionário de Grego-Português e Português-Grego de Isidoro Pereira, publicado pela Livraria Apostolado da Imprensa, releio na página 283 (terceira entrada da coluna à direita), um dos termos mais belos da língua ática: κάθαρσις, εως – purificação, purgação, catarse, consolação da alma pela satisfação de um dever moral, cerimónias de purificação …
Crisântemos
. CRISÂNTEMOS Hoje, primeiro dia de novembro, regressei a esta parte da casa onde os últimos vasos coloridos alardeiam as suas flores. Gosto de beber o meu café aqui, no recanto que muitas vezes se enche de gerberas e orquídeas, de cravinas e de gladíolos, lírios e jarros amarelos, mas também de funcho, hortelã, salsa, …
Elegia, ou quase
. (Mateus, 20:1-16) . Na minha frente a paisagem mais significativa: vinhas desenhadas com precisão, um pequeno palacete entre elas, ao fundo – na orla do espaço – um bosque. Árvores outoniças, bordos amarelos e alaranjados, carvalhos, uma linha de choupos quase despidos a tocar – à distância – o branco, árvores verdes ainda, castanhas, …
