O trineto

Fotografia de Nishant Jain

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Iago não era santo. Era um fugitivo.

Uma tarde deitou lume a todos os fardos de feno que encontrou no vale de Sanústia e pôs-se – noite cerrada – a contemplar do cimo do Monte de Ascópia os celeiros dos povoados a relinchar com os estalos e os com os círculos dançantes das grandes fogueiras.

Iago era pirómano e sem cabeça.

Quando o descobriram algumas manhãs de setembro mais tarde, vencido pela insónia e pelo demoníaco prazer do fogo, os seus olhos luziam com eufórica satisfação.

Se por culpa de ardimentos passados, se por conta de incêndios futuros – adivinhados talvez já na sua mente implacável – nem a velha Birina, sua trisavó ainda viva, poderia em rigor desempatar.
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