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Foto: Tatiana Skorokhod

 

A Sra. Marshall dispôs os girassóis com o máximo de cuidado. Na jarra, sobre o oval da grande mesa de mogno que ocupa o espaço central da sala, eles deveriam parecer tão inocentes e felizes como numa tela de final do século XIX.

‒ O que achas, querido?

O Sr. Marshall não emitiu qualquer comentário. Não consultou sequer o aparato colorido que, instintivamente, lhe provocava aversão. O Sr. Marshall lia o jornal com dedos e olhos meticulosos.

‒ Em breve temos aí a guerra!

A Sra. Marshall deu um novo efeito ao amarelo violento que ardia dentro do cristal. Não, aqueles girassóis deveriam parecer inócuos e puros como uma brincadeira de criança. Quando os conselheiros de estado se sentassem todos ao redor desse arranjo, talvez pensassem um pouco na vida, na infância, nas criaturas que ocupam em silêncio um lugar importante nos nossos corações.

Antes da guerra vale tudo, dizemos nós. Antes da guerra valeu sempre tudo.

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